" Tenho más notícias. A crise econômica está só no começo "
31 de janeiro de 2009
Do site www.cartamaior.com.br
Em um debate sobre a crise, quatro especialistas convidados para o Fórum Social Mundial trouxeram más notícias. Pareciam os quatro cavaleiros do apocalipse. Segundo eles, os problemas estão só no começo e vão se aprofundar, jogando milhões de pessoas no desemprego. E as esquerdas, alerta um dos debatedores, estão paralisadas, sem coragem de denunciar isso e exigir mudanças reais. A análise é de Bernardo Kucinski.
Bernardo Kucinski
“As esquerdas não tem coragem de denunciar tudo isso e exigir mudanças reais. Estão paralisadas.”
BELÉM – Tenho más notícias. A crise econômica está só no começo. Vai se aprofundar, durar anos, jogar milhões no desemprego e na rua da amargura. A profecia é de gente que entende, quatro especialistas convidados para o Fórum Social Mundial em um debate organizado por uma entidade também respeitável, a Fundação Friedrich Ebert. Pareciam os quatro cavaleiros do apocalipse.
Um deles, Joseph Borrell, com PhD em economia, ex-ministro de Obras da Espanha, cheio de outros títulos e credenciais, disse com todas letras que “os banqueiros que provocaram essa crise deveriam ser presos e processados por crimes contra a humanidade,” tal o estrago que provocaram no mundo e ainda provocarão. Mas em vez disso, estão soltinhos da vida, e ainda levaram de prêmio milhões de dólares como bônus de gratificação.
Na Espanha, diz Borrell, um milhão de pessoas perderam o emprego só nos três últimos meses. A taxa de desemprego deve atingir 17% da força de trabalho, a que havia na Espanha 15 anos atrás. “Recuamos 15 anos de nossa história econômica”, diz ele. Outra dimensão da profundidade da crise na Espanha é o estoque de 12 milhões de moradias vazias, sem comprador.
O economista do DIEESE Adhemar Mineiro, escolado e escaldado em economia internacional, disse que se trata de uma crise de todo o sistema econômico baseado na supremacia do capital financeiro e expansão ilimitada do crédito. Não é coisa pequena, localizada. É uma crise estrutural desse modo de produção e consumo.
A idéia de que a América Latina estaria imune ou menos vulnerável aos efeitos da crise também já foi para o ralo. Adhemar ressaltou o fato de que previsões cada vez mais pessimistas estão se sucedendo com rapidez. A previsão de que o PIB do Brasil cresceria 4% este ano foi rapidamente rebaixada à metade e hoje já se fala em crescimento zero.
O prognóstico é ainda pior para outros países da América Latina, de economia menos diversificada, que dependem de exportação de uma ou duas commodities, como Venezuela, Argentina, Chile. Vai ser pesado o efeito combinado do estrangulamento do crédito e queda no preço das commodities.
O sistema simplesmente parou e não conseguem religá-lo, diz Oscar Ugarteche, do Instituto Nacional de Pesquisas do México. Outro que tem Phd. Para ele ainda estamos na primeira etapa da crise. Uma montanha de títulos podres continua entupindo o sistema. O total de títulos e papéis criados pelos bancos é de 16 vezes o valor da riqueza real que os poderia lastrear. Essa montanha de títulos podres ainda está para desabar, só não se sabe quando e como. A bolha das hipotecas foi só a primeira.
Igualmente agourenta estava Modly McCoy, ativista da Confederação Internacional Sindical, que atua em nome dos trabalhadores no FMI e Banco Mundial. O discurso dessas entidades mudou com a crise, mas a prática não. Mesmo nos empréstimos emergenciais oferecidos nos últimos meses para tentar aplacar a sede de crédito continuaram impondo as condicionalidades neo-liberais: privatizar a previdência, reduzir salários de funcionários públicos e por aí afora. Não houve mudanças substantivas nessas estruturas de poder.
Por que está tão difícil atacar a crise? Em primeiro lugar porque precisaria haver um novo poder sobre o funcionamento da economia. Não adianta querer que o poder financeiro resolva, diz Adhemar Mineiro. Em segundo lugar, a crise já é global, mas as medidas anti-cíclicas que vêm sendo tomadas limitam-se a países. Poderiam até dar resultado nos marcos de uma integração regional porque a produção hoje em dia se dá numa escala que exige mercados ampliados, diz Oscar Ugarteche.
O pior de tudo, diz Joseph Borrell, é que a condução das soluções está nas mãos dos mesmos sujeitos que provocaram a crise. Os governos estão enchendo os bancos de dinheiro, sem exigir nada em troca. Ao contrário, ainda prometem que vão fazer de tudo para não nacionalizar os bancos, e pedem desculpas, se tiverem que nacionalizar será tudo temporário. E os paraísos fiscais, que ele chama de “o lado escuro do sistema financeiro”, continuam intocáveis”.
“As esquerdas não tem coragem de denunciar tudo isso e exigir mudanças reais. Estão paralisadas.”
Garantia da educação como direito requer superação do neoliberalismo
31 de janeiro de 2009
Do site da Agência CARTA MAIOR
www.cartamaior.com.br
Sistema reduziu verbas para educação pública, flexibilizou trabalho dos docentes e implantou avaliações padronizadas para “gerenciar o ensino. Superá-lo requer a capacidade de construir organizações políticas alternativas para disputar a hegemonia.
Bia Barbosa
BELÉM - O capitalismo – e sua “versão moderna”, o neoliberalismo – sempre encontra formas de se adaptar a uma conjuntura dada para impor ali sua visão hegemônica, transformando a realidade de acordo com os interesses dos de cima. Com a educação não foi diferente. Afirmada como direito desde o início do século passado e tida como um verdadeiro instrumento de libertação e construção da igualdade, a educação, a partir dos anos 80, passou a ser tratada como serviço.
Retomar a conquista obtida com muita luta e mobilização popular passa, hoje, pela superação do atual sistema, via construção de alternativas contra-hegemônicas de projetos políticos. Foi esta uma das conclusões do debate sobre educação e pós-neoliberalismo realizado nesta quarta-feira (28), na Universidade Federal do Pará, no primeiro dia de atividades do Fórum Social Mundial 2009.
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Mandato apresenta propostas para bancada do PDT na Câmara
30 de janeiro de 2009
Por Paulo Rubem
No próximo domingo, dia 1 de fevereiro, a partir das 12:00, na sede do PDT nacional em Brasília,a bancada federal do partido se reúne para definir a escolha do Líder, dos Vice-Líderes, das Comisões Permanentes de sua preferência para participação na Câmara em 2009 e nossas estratégias de atuação.
A bancada já decidiu que atuará em plano próprio, sem vínculo a blocos partidários, buscando assim mais visibilidade e maior protagonismo no parlamento.
Sobre esse aspecto já foram feitas diversas reuniões desde 2008 após as eleições. Há um sentimento majoritário de que o PDT pode puxar o debate de temas importantíssimos para a sociedade brasileira, como os assuntos macroeconômicos, da seguridade social, das políticas públicas, atuando sempre de forma propositiva e firme, seguindo o exemplo da história de sua liderança de maior expressão, Leonel Brizola, que nunca ficou em cima do muro em sua atuação política.
Neste sentido, após participarmos de debate com Renato Rabelo(Presidente Nacional do PC do B ), Ciro Gomes ( pelo PSB) e Márcio Pochmann, Presidente do IPEA, em novembro passado, assumimos a proposição de defender que a bancada constitua Núcleos Temáticos de referência, para construir posições mais firmes e claras em plenário, nas comissões, na votação de projetos e assim consolidando a presença do partido junto aos movimentos sociais.
Desses núcleos destacamos :
1. Economia e Desenvolvimento
2. Seguridade Social e Trabalho
3. Políticas Públicas
4. Direitos Humanos
A proposta visa não apenas subsidiar a atuação dos parlamentares em plenário e comissões como também dar sustentação à realização de debates e audiências públicas com intelectuais, lideranças de movimentos sociais, economistas, cientistas sociais, jornalistas, sorbe temas de interesse contemporâneo, sobretudo no plano das políticas estruturais na economia, na área jurídica, na área tributária e nos meios de comunicação. Nesse aspecto vale registrar que Brizola foi a única liderança política de expressão nacional que comprou e venceu uma briga boa com uma emissora de televisão em pleno processo eleitoral de 1982. No documentário ” Brizola, Tempos de Luta” está registrada a leitura, por CID MOREIRA, em pleno Jornal Nacional,de nota oficial assinada por Brizola, como direito de resposta obtido na Justiça.
De nossa parte pretendemos consolidar a presença nas atuais comissões que integramos, como Educação e Seguridade Social, além das demais consideradas cumulativas, como a Direitos Humanos e a Comissão Mista de Orçamento, Planos e Fiscalização, composta por Deputados e Senadores.
Para presidir Comissões, pretendemos sugerir que o PDT solicite a Comissão de Direitos Humanos.
No domingo manteremos nossos leitores informados diretamente da reunião na sede do PDT. Até lá.
Frente parlamentar propõe conferência nacional contra a corrupção
29 de janeiro de 2009
Da Agência Câmara
www.camara.gov.br
A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção quer realizar no segundo semestre deste ano uma conferência nacional sobre o tema na Câmara dos Deputados. Segundo o coordenador da Frente, deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), as articulações para a realização do evento devem começar logo na volta dos trabalhos legislativos, na próxima semana.
“Vamos tentar reunir os deputados, chamar as entidades e ver se a gente prepara um cronograma para, no segundo semestre, fazer a conferência nacional. Eu espero que a próxima Mesa Diretora priorize esses projetos”, observa o parlamentar.
Ele lembra que, em 2007, a Frente Parlamentar propôs a realização de uma comissão geral de debates na Câmara sobre o assunto e também uma comissão especial para debater e votar os projetos importantes sobre o tema. No entanto, nenhuma iniciativa foi implementada.
68 propostas
Ao todo, a organização não-governamental Contas Abertas, organização dedicada a estimular a fiscalização das contas públicas, listou 68 proposições em tramitação no Congresso que podem ajudar no combate à corrupção.
São propostas variadas, como as que tornam mais rígidas as penas para os crimes de corrupção e a que cria um tribunal específico para acelerar o julgamento de autoridades acusadas de crime contra a administração pública, a PEC 115/07, do deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP).
Prioridade
Paulo Rubem aponta como uma das prioridades da Frente a aprovação do Projeto de Lei Complementar 217/04, do Senado, que determina a divulgação em tempo real, pela internet, de todos as despesas, receitas e transferências dos orçamentos da União, estados e municípios. Para ele, um avanço na transparência do gasto público.
O deputado também cita uma proposta de emenda à Constituição de sua autoria (PEC 78/07) que determina o julgamento de deputados e senadores pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apenas em casos relacionados ao exercício do mandato.
Paulo Rubem defende que quem está sendo denunciado por atos cometidos fora do mandato parlamentar seja julgado pela justiça comum e não pelo Supremo, pois, ressalta, o STF não tem tradição de investigar esse tipo de crime.
“O STF não chegou a condenar sequer 20% daqueles que, ao longo de 40 anos, foram denunciados por crimes de evasão fiscal, crimes contra o patrimônio público”, destaca o deputado.
Para ele, é preciso mudar a legislação brasileira para assegurar que o mandato seja imune por força das suas opiniões políticas. “O mandato não pode servir a quem desviou dinheiro de prefeitura, a quem sonegou impostos à Receita Federal.”
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA baixa Resolução sobre presos provisórios no sistema carcerário brasileiro
28 de janeiro de 2009
Da Agência Brasil
Sem controle
CNJ: 50% da população carcerária são presos indevidos
Reforçando uma das questões que levantamos no comentário sobre a entrada da Polícia Federal nas investigações do assassinato do advogado Manoel Matos, observamos a Resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça-CNJ sobre o problema dos presos provisórios, assunto que também investigamos da CPI do Sistema Carcerário, em 2008, na Câmara Federal. A Matéria é reproduzida aqui no Blog.
Boa leitura.
…………………………….
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou hoje (27) uma resolução que cria um mecanismo de controle estatístico dos casos de prisão provisória para um melhor acompanhamento de juízes e tribunais. Segundo o corregedor-nacional de Justiça, Gilson Dipp, a iniciativa visa estimular a saída da prisão de pessoas que não estão lá por condenação definitiva, sobretudo das mais pobres.
Dipp informou que nos vários mutirões carcerários realizados pelo CNJ foi detectado número “incomensurável” de presos sem condenação, detidos com base em decretos de prisão provisória, temporária ou preventiva com prazos legais esgotados.
“Seguramente 50% da população carcerária não são de condenados, mas de presos que estão com prisão provisória, temporária e, às vezes, preventiva, em que não são respeitados nenhum dos prazos”, afirmou Dipp. “Isso macula os direitos humanos e dá à população uma sensação de desconfiança em relação ao Executivo, ao Judiciário, ao Ministério Público e à Defensoria Pública”, acrescentou.
Segundo o corregedor, a grande maioria dos que permanecem presos indevidamente são pessoas de origem humilde e com escassos recursos financeiros, o que exige um esforço de reparação por parte do poder público. “Preso que tem recursos [financeiros] e bom advogado nunca tem os limites da prisão temporária ultrapassados”, argumentou.
Pela resolução aprovada, as varas terão de encaminhar trimestralmente às corregedorias de Justiça o número de prisões em flagrante, temporárias e preventivas com todas as informações relativas aos atos (nome do preso, número do processo, data do último movimento processual). Caberá às corregedorias fiscalizar a conclusão dos inquéritos e determinar prioridade no cumprimento de diligências dos processos onde houver réu ou indiciado preso.
Ainda na sessão de hoje, o CNJ assinou dois termos de cooperação técnica voltados para a promoção dos direitos das crianças e adolescentes, com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP). Os documentos tratam de trabalhos conjuntos em estudos e pesquisas referentes ao tema.
O presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, ressaltou que políticas judiciais em favor da infância e da juventude terão prioridade no órgão. “Esse é um tema extremamente complexo em um país tão desigual e carente de desenvolvimento. Cabe a nós, portanto, colaborar no trabalho de planejamento e coordenação de ações”, afirmou Mendes
Em Pernambuco assassinatos se assemelham a faxina social
27 de janeiro de 2009
Matéria reproduzida do Blog de Jamildo ontem, foi escrita pelos autores no ano passado,em agosto, mas é extremamente atual.
www.blogdejamildo.com.br
Pernambuco é marcado pela ‘faxina social’
Eric Beauchemin e Daniela Stefano
‘Faxina social’ é a definição do jornalista Eduardo Machado para o que ocorre no Pernambuco. O editor do PEbodycount, website que conta o número de vítimas fatais neste Estado do nordeste brasileiro afirma que “pobres, negros, moradores de periferia e desempregados” são as vítimas dos assassinatos.
O Pernambuco tem os índices de homicídios mais altos do Brasil. Enquanto no país, para cada cem mil habitantes há 19,5 mortos, nesse Estado do nordeste há 54 homicídios por cem mil habitantes. Em 2007, o número de assassinatos no Estado, segundo dados oficiais, subiu para 2617, mas fontes não oficiais falam de 4592 vítimas. “O que me choca é o fato de a sociedade pernambucana achar isso normal”, conta Eduardo Machado.
Uma das ações do PEbodycount é pintar o local onde um assassinato ocorreu.
Um grupo de repórteres policiais do Jornal do Commércio criou, em maio de 2007, o website PEbodycount (contador de corpos de Pernambuco).
Além de registrar a quantidade diária de homicídios e dar rosto às vítimas, divulga também notícias relacionadas com a segurança pública e destina espaço para que o internauta comente os dados ali apresentados.
Para manter o registro atualizado, realizam o que chamam de ‘ronda telefônica’, ou seja, ligam para cerca de 50 números, entre delegacias, batalhões da polícia militar, hospitais e Imls. Diariamente, ao meio-dia, atualizam o website.
Eduardo Machado explica que, embora o problema seja admitido pelas autoridades, as causas de tantos homicídios só agora começam a ser estudadas pela comunidade acadêmica:
“Não há uma resposta científica, embora haja estimativas. A polícia diz que muitos dos crimes estão relacionados com o narcotráfico, ou brigas entre gangues, mas o que a gente vê na prática é, em muitos casos, a vontade de fazer justiça com as próprias mãos”.
Machado descreve o perfil da vítima: jovem, entre 15 a 24 anos, negro, e morador da periferia cidades pernambucanas. “Gente pobre, de baixa instrução, que não tem oportunidades.”
O mapa da violência
Um outro projeto em desenvolvimento é um website que marca com uma bandeira vermelha no mapa das cidades o local onde ocorrem os homicídios: “Com essa disposição espacial é possível ver que os crimes estão concentrados nas áreas mais pobres de Pernambuco”, diz o editor do PEbodycount.
O objetivo, segundo ele, é deixar claro que onde não há cidadania ou a presença do Estado o crime se torna corriqueiro. “A relação entre falta de assistência social e criminalidade já está provada”.
Na opinião de Eduardo Machado, é preciso investir nessas áreas para diminuir a violência. No entanto, a tarefa não é fácil: “Há uma desigualdade social muito grande e a redistribuição de renda não interessa à classe média e à elite do país. Motivo pelo qual a violência continua”.
COLABORAÇÃO
L TRIBUNA(EM FERIAS)
BIB CTG UFPE
CÂMARA vai acompanhar investigações sobre assassinato de Manoel Matos
27 de janeiro de 2009
Pela Agência Câmara
Câmara acompanhará investigação do assassinato de dirigente do PT
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara vai acompanhar as investigações do assassinato do vice-presidente do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, o advogado Manoel Bezerra da Mota Neto, que também era assessor do deputado Fernando Ferro (PT-PE).
O crime aconteceu no último sábado na praia de Marisco, município de Pitimbu, litoral sul da Paraíba. Manoel Bezerra foi enterrado no domingo na cidade de Itambé em Pernambuco.
Em nota oficial, a Comissão destacou que a Câmara tem o compromisso político de atuar para que este crime não fique impune. Também pede proteção da Polícia Federal para o deputado Luiz Couto (PT-PB), que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grupos de Extermínio.
Luiz Couto lamentou a morte de Manoel Bezerra e creditou o crime ao descaso com que o governo do estado vem tratando as denúncias da existência desses grupos dentro das polícias civil e militar.
NOSSOS COMENTÁRIOS
É importante que se apure o crime por meio da Polícia Federal. Creio, porém, que mais importante do que isso é se fazer uma profunda varredura nas polícias civil e militar, no ministério público e no judiciário paraibanos.
Não se trata de atacar ninguém dessas instituições previamente. Trata-se, isto sim, de mostrar à sociedade quantos crimes ocorrem na Paraíba e em quantos casos os denunciados são levados a Juri, se isso realmente chega a acontecer.
A impunidade e o espaço para a atuação de grupos de extermínios acontecem exatamente como consequência da ineficiência de todo esse aparato.
Quando um cime comum acontece e o inquérito não é concluído ou o é de forma frágil, lá prospera a impunidade e reduzem-se as chances de se levar alguém à condenação.
Frente a isso pergunta-se :
1. Quais são as condições da Polícia Civil paraibana para apurar os casos graves, como os homicídios com características de extermínio ou encomenda ? Qual é o atual déficit de pessoal da Polícia Civil do estado em questão e como funcionam seus orgãos de polícia técnica ?
2. Quais são as condições do Ministério Público na Paraíba ?
3. Quantas Varas Criminais encontram-se em atuação na Paraíba e qual é o acúmulo de processos ? Quantos presos provisórios acusados de homicídio aguardam julgamento ?
4. Dos homicídios ocorridos nos últimos cinco anos quantos foram elucidados, sobretudo naqueles casos semelhantes ao de Manoel Matos ?
Sem resposta para essas questões, a Polícia Federal poderá até elucidar o assassinato de Manoel Matos mas a bandidagem continuará dando as cartas contra os cidadãos comuns e contra todos aqueles que se voltem contra os grupos de extermínio, a corrupção e a pistolagem no Estado da Paraíba.
Estados que não investem em pessoal, concursos, planos de carreira e melhores salários e que não ampliam gastos com equipamentos por força da Lei de Responsabilidade Fiscal tornam-se “bons gestores fiscais” mas são excelentes aliados do crime organizado pela ausência de capacidade de resolução dos crimes cometidos contra cada um e contra toda a sociedade.
Pistolagem assassina Manoel Matos
26 de janeiro de 2009
Por Paulo Rubem
Companheiras e Companheiros
Foi sepultado na tarde deste domingo em ITAMBÉ, na fronteira de Pernambuco e Paraíba, o companheiro, advogado e militante sindical MANOEL MATOS. Manoel era filiado ao PT, integrava a executiva estadual do partido e faz algum tempo havia denunciadao a atuação de grupos de extermínio naquela fronteira.
Era um advogado atuante e já havia ganho várias causas em defesa de servidores públicos municipais no Estado de Pernambuco. Era um grande companheiro!!
Vítima de assassinato, Manoel recebeu dois tiros na noite de sábado, numa casa de praia em Pitimbú, na Paraíba, onde estava com os familiares e alguns amigos.
Segundo depoimentos, dois homens chegaram com máscaras, o identificaram e desfecharam logo os dois tiros.
Manoel era muito amigo nosso, atualmente casado com a professora Alcione e deixa filhos do lo. e do atual casamento, uma das filhas já universitária de Direito.
Vamos dar mais informações a partir dessa segunda-feira.
Setor sucroalcooleiro lidera ranking de trabalho escravo
23 de janeiro de 2009
Reprodução pelo Blog
Piero Locatelli
Do UOL
O setor sucroalcooleiro lidera o ranking de ‘escravos’ libertados pelo governo federal em 2008. No total, 2.553 pessoas saíram de condições de trabalho equivalentes à escravidão no setor durante o ano passado. Isso equivale a 49% do total de 5.224 trabalhadores retirados em 2008
A pecuária ocupa o segundo lugar no ranking, com 1.026 libertos (20% do total).
Os dados, levantados pela Comissão Pastoral da Terra, foram divulgados hoje em estudo da ONG Repórter Brasil sobre as condições do setor sucroalcooleiro no país.
Marcel Gomes, coordenador da pesquisa, diz que o número reflete a grande quantidade de trabalhadores escravos encontrados em cada lugar em que há produção extensiva de cana.
Pará teve 1.581 casos de trabalhadores em situação de escravidão em 2008
23 de janeiro de 2009
Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília (DF)
O Pará foi o Estado que mais teve denúncias de casos de trabalhos análogos à escravidão no ano de 2008. De acordo com relatório da CPT (Comissão Pastoral da Terra), somente no ano passado foram 1.581 casos relatados pelo Governo Federal.
Em oito dos últimos dez anos, o Estado também foi o líder no número de pessoas libertadas da escravidão. No total, foram 11.053 pessoas libertadas desde 1995. Em segundo lugar no ranking, o Mato Grosso teve 5.262 casos. No total, foram 33.747 libertações feitas no país desde 1995.
Goiás foi líder em 2008
Em 2008, Goiás liderou o ranking de pessoas libertadas. O Estado do Centro-Oeste teve 867 libertos contra 811 do Pará. Porém, segundo Leonardo Sakamato, coordenador da ONG Repórter Brasil, os dados de um ano podem significar um ponto fora da curva e não constituem a regra para saber quais Estados estão em pior ou melhor situação.
“Se considerarmos os dados de trabalhadores libertados em 2008, observamos um aumento de Goiás, Alagoas e alguns outros. Mas o Pará continua sempre lá em cima, assim como o Mato Grosso,” diz Sakamoto.
Ele também lembra que, no caso do Pará, as apreensões costumam acontecer em menor escala, pois são mais ligadas à pecuária. Neste setor há poucos empregados em cada lugar de produção.
Nos Estados onde a escravidão é mais ligada à produção da cana-de-açúcar, porém, centenas de pessoas podem ser libertadas de uma única vez. Isso ajudaria o crescimento esporádico de alguns estados no ranking.
“Poder público no Pará não cumpre seu papel”
Para Sakamoto, o Pará é um Estado em que as instituições não cumprem o seu papel. “O Pará, muita vezes, é cooptado e é parceiro e subserviente ao poder econômico” diz ele. “O Estado beneficia a elite local, mas não beneficia a massa de trabalhadores.”
A rápida expansão da fronteira agropecuária pela Amazônia, segundo Sakamoto, contribui para os problemas no Estado. Mas, segundo ele, a expansão agropecuária não justifica sozinha os problemas do Pará. “São Paulo, por exemplo, é um lugar onde há expansão agropecuária. Mas lá há uma rede social e um Estado Federal mais atuante,” diz.











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