Parlamentar solidariza-se com a Andes

12 de novembro de 2009

O deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) solidarizou-se com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), que aguarda decisão judicial de um mandado de segurança do Proifes de anular, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ato do Ministro Carlos Luppi, que em 05/06/09 restabeleceu o registro do ANDES-SN em todo o território nacional.

De acordo com o parlamentar, O ministro Carlos Luppi, reestabeleceu, agindo com seriedade e isenção, para que a Andes mantivesse a legitimidade sindical.

Ele explica que foi militante da Andes, entre 82 e 91, e dirigente junto à sua afiliada em Pernambuco, a Adufepe, na Universidade Federal de PE (UFPE). “O registro sindical acrescenta importantes prerrogativas àquelas que uma associação civil detém na defesa dos interesses de seus representados. É um instrumento precioso na defesa dos interesses coletivos”.

A Andes divulgou que o Proifes tem procurado confundir a categoria fazendo sucessivos anúncios ou referências à “publicação do registro sindical do Proifes, a fim de passar uma ideia de legitimidade e de legalidade que absolutamente não detém”. Para a diretoria da entidade, os advogados do Proifes reconhecem explicitamente que: “O Impetrante (Proifes) é uma entidade associativa, dos professores do Ensino Superior Público Federal com representação nacional com pedido de Registro Sindical junto ao MTE…”. Admite, ainda, que, “…O impetrante (Proifes) estará fadado a não ter sua representação em razão de ato ilegal da autoridade coatora (Ministro Lupi), que na prática instituiu uma representação no mesmo nível do Impetrante, que fatalmente vai colidir com o princípio da unicidade”.

A Andes explica que o argumento jurídico demonstra com clareza que o Proifes sabe que não é uma entidade sindical e que sua pretensão de vir a sê-lo esbarra em vícios e ilegalidades: o modo como procurou encenar sua constituição na mal fadada “assembleia”, convocada para a sede nacional da CUT, em 06.09.08, em São Paulo, quando houve explícita e documentada obstrução de participação de docentes das IFES, e no fato de o ANDES-SN deter a representação da categoria dos docentes das instituições de ensino superior em todo o território nacional, e em todas as instituições federais de ensino superior.

O GESTOR DA EDUCAÇÃO NA ESCOLA PÚBLICA

23 de março de 2009

Por Hélcio de Mattos

Nos anos 70, período do chamado milagre brasileiro, os militares se esforçavam em mostrar ao mundo que o Brasil era um país que tinha se livrado do perigo do comunismo, e assumira, definitivamente, uma postura de país capitalista e industrializado.

Foi também neste período que ocorreu uma ampla reforma na estrutura da educação brasileira, que tinha duas finalidades estratégicas: 1 – quebrar a força do movimento estudantil, que era o segmento da sociedade de maior resistência ao regime militar na época; 2 – restringir o acesso das camadas mais pobre da sociedade às Universidades.

A reforma do ensino superior acabou com o sistema seriado, criando o sistema de matrícula por disciplina fazendo com que os alunos não ficassem fixos na mesma turma. Como num sistema bancário, o aluno disputava créditos ao longo da sua formação.

Na educação básica introduziu-se a obrigatoriedade da formação profissional no ensino de segundo grau, com caráter de terminalidade. O ensino de primeiro grau teria a orientação para o trabalho como perspectiva, podendo ter o caráter de terminalidade também, deixando claro que, nos dois graus de ensino, a prioridade era a formação de mão de obra, “estimulando-se” a entrada no mercado de trabalho mais cedo, ao mesmo tempo em que acenava com a possibilidade de ascensão social, apesar do título de técnico em nível médio.

Ao mesmo tempo, o governo leva para a mídia jargões que relacionava a educação como sinônimo do desenvolvimento (em Pernambuco o slogan era “desenvolvimento teu nome é educação”). E não ficava só nisso, a linguagem sistêmica comum no meio empresarial, foi levada para a estrutura administrativa das escolas. O coordenador pedagógico virou supervisor, o diretor era o administrador, a produtividade estava relacionada ao índice de aprovação e reprovação e não de aprendizagem, o aluno era um número e não uma pessoa um cidadão que tinha direitos, a escola virou uma empresa.

É dentro deste aspecto que devemos analisar, no atual momento histórico, o papel e o perfil do Gestor Escolar. Não é possível ter-se como único culpado pela evasão e repetência o aluno.

O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR

Na atual situação em que se encontra a educação brasileira, o fracasso escolar é um verdadeiro jogo de empurra, todos são culpados e ninguém tem culpa. Mas uma coisa fica patente, o administrador escolar se julga o menos culpado e, na maioria das vezes, sem culpa alguma.

O que devemos considerar neste momento, é que a idéia de se ver o administrador escolar e o supervisor pedagógico como administrador e supervisor de empresa, já está ultrapassada. Todos os que estão na escola, independente de funções, são responsáveis pelo fracasso ou sucesso escolar e, por isso, o gestor escolar tem que ter um papel diferente do que está sendo cobrado dele. E neste ponto faço questão de diferenciar uma coisa da outra: o papel do Gestor da educação escolar e do Administrador (gerente) da escola.

O Gestor da Educação Escolar tem a responsabilidade de coordenar as ações pedagógicas da escola e o Administrador da Escola, de cuidar das questões ligadas à manutenção e o funcionamento dela. Um planeja conjuntamente e acompanha o desenvolvimento do projeto pedagógico, o outro garante as condições físicas e materiais para que o projeto pedagógico seja executado satisfatoriamente. São papeis distintos, mas de grande importância para garantir as ações educativas que são desenvolvidas na escola.

Hoje o Gestor desempenha mais a função de gerente, síndico, qualquer coisa semelhante, menos a de um educador na gestão da educação escolar.

O PERFIL DO GESTOR ESCOLAR

O Gestor da Educação Escolar tem que ser um líder e democrático, na medida que tem a responsabilidade de coordenar as ações pedagógicas, ser capaz de socializar as decisões, descentralizar as ações (delegando responsabilidades), acatar e encaminhar as deliberações da maioria.

Tem que ter um compromisso claro com a educação, evidenciando-se este compromisso, nas propostas que tenha para garantir a permanência do aluno na escola, não condicionada unicamente no aspecto relacionado à merenda escolar e bolsa escola, mas as ações que propiciem a necessidade e a satisfação de estar na escola.

Deve ser uma pessoa capaz de acreditar no papel importante que tem a organização dos estudantes (no Grêmio Estudantil), a organização dos pais dos alunos (na Associação de Pais), estimulando a criação dessas entidades ou apoiando-as quando existirem. Entender que o Sindicato é a instância máxima de representação dos trabalhadores da educação, e têm que ser respeitados os encaminhamentos deliberados, por maioria, nas assembléias da categoria.

O PROCESSO DE ESCOLHA DO GESTOR ESCOLAR

O Gestor da Educação Escolar deve ser escolhido pelo processo de eleição direta pela comunidade escolar, composta pelos professores, funcionários, alunos e pais de alunos.

A condição necessária e suficiente para que se proceda ao processo eletivo, é a existência, em toda a sua plenitude, do Conselho Administrativo Pedagógico (Conselho Escolar) na escola.

É importante que se tenha definido o período de mandato, critérios para inscrição de chapas, financiamento de campanha, quem tem direito de votar, se o voto é universal ou proporcional, caso seja proporcional, que percentual cabe a cada segmento, etc.

Particularmente sou favorável que o mandato seja de 3 (três) anos, o voto seja universal e o financiamento da campanha seja público (Estado ou Município), as inscrições para o pleito devem ser feitas através de uma carta compromisso dos candidatos, junto com uma proposta de projeto pedagógico para ser debatido com a comunidade escolar.

Do mesmo jeito que defendemos a capacitação dos conselheiros dos Conselhos Escolares, somos favoráveis também à capacitação dos Gestores eleitos, para que os mesmos tenham um mínimo de conhecimento da máquina administrativa, bem como à ampliação dos seus referencias pedagógicos, nos seus aspectos macro e micro, das políticas públicas para educação existentes.

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